Sou uma caricatura de mim,
daquelas cheias de graças, cheias de cor.
Sou uma contradição de mim
dessas que não se foge, não se escapa.
Naquele dia que sou melancolia,
Naquele outro que sou só alegria.
Sou um abismo, quem sabe salvação.
Sou aquele chão que se procura, mas não se pisa.
Aquele sorriso que se atinge, mas não se atreve.
Aquela estaca que dói, mas que sabe sair pra aliviar a dor.
Sou um mundo, mas de mentira.
Uma mentira, mas sou o mundo.
Cristalizando, modificando, amontoando,
Fazendo arte...
Sou uma poeta sem acreditar na poesia,
Uma bailarina que tem medo de dançar,
O palhaço que não sabe fazer chorar.
Sou uma chuva sem trovão, e o sol
eu não sei ser... talvez fosse e me mataria.
Sou a pedra jogada no lago,
que afundou, fez eco e não sumiu.
Sou cascata da areia, sem passos, sem pegadas,
com desenhos sem cor de mim.
Sou o cão que sempre volta,
o atleta que recebe a medalha e seu prêmio é a emoção.
Sou o palco que recebe a estrela,
porém é pisado por ela!
Sou assim e assim não sei deixar de ser!